quinta-feira, 21 de maio de 2015

A cereja do bolo é o corvo na janela

Hoje estou cheia de passado.
Há tanto passado em mim
que já nem sei direito o presente.
Talvez porque o presente ande mesmo meio etéreo
abrindo espaço para qualquer coisa que o queira preencher.
Deveria ser o futuro
Acho que deveria ser o futuro
Mas talvez aquela incerteza traga antes
memórias de outros tempos felizes
(talvez já romantizadas, polidas, relativizadas)
do que os planos pro que há de vir.
Talvez que a felicidade do que foi
esteja abrindo os braços pra alegria do que virá
E enquanto isso

A cereja do bolo é o corvo na janela.
De tanta coisa que aconteceu hoje,
acho que essa é a mais melancólica de todas.
Durante minutos e minutos ele sentou na chaminé
e olhou através de minha janela.
Ensaiei tirar-lhe uma foto, então ele se foi.
Esse olhar tão impregnado de “never more” e silêncio
parecia querer me lembrar
da durabilidade dos dias de chuva e contemplação em solo europeu;
de que refletir sobre o passado é um lapso
de que Ei, Veja só o presente aqui.

O silêncio emudecido ao som do contrabaixo acústico
voltou com o céu cinzento
(a primavera etérea como o dia de hoje).
Então nada me resta além de compor,
plantar notas nesse silêncio fecundo.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Vielleicht soll ich schwimmen lernen

Schönes Lächeln.
Tiefer Blick.
Aber
es gibt eine Tür
zwischen uns
und weiss ich nicht
wenn darf ich
es öffnen
- vielleicht gibt es da
ein groβer See
zu kalt für schwimmen.
Vielleicht solltest du
es aufmachen.
Bald.
Oder vielleicht
soll ich schwimmen lernen.



sábado, 14 de março de 2015

Pensamentos taraxacum - só

Não tenho vocação pra solidão.
Qualquer momento só
há de ter nascido de uma escolha
ou um infortúnio.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Por que MLP?

Logo que voltei do meu intercâmbio pro Chile, depois de ter mergulhado no mundo da educação em museus na minha vida santiaguina, resolvi mandar meu currículo pro Museu da Língua Portuguesa.
Quando entrei pro Educativo do MLP, já havia trabalhado por 4 meses na exposição temporária Jorge Amado e Universal, e já tinha me inserido na realidade de mudança, turbulência e alguns conflitos que estavam à flor da pele na instituição, na época. Me questionei se queria mesmo estar ali, naquele momento em especial, e a resposta foi: sim, a galera daqui vale a pena. Sempre achei a equipe do MLP especial, isso me motivou a entrar sem questionar tanto outras variáveis da equação Trabalho.


Mais de dois anos passaram e eu continuei no Educativo. Um dos motivos foi o público do museu; cada visita foi especial, cada pessoa com quem conversei nas exposições marcou de alguma forma meu cotidiano de trabalho, cada oficina dada, curso, intervenção dramática, cada momento de interação com o público foi ponto forte na minha convicção de que o trabalho do educador no museu tem sim um porquê.


A equipe do museu, nesses dois anos, mudou bastante. Ainda que rostos e personalidades fossem outras, sempre foi uma constante pra mim: qual o grande motivo de você estar aqui? Meus companheiros de trabalho.
Agora que me despeço do museu para mais um intercâmbio, reitero. A galera que trabalha no MLP é única. Tão única que rolou tudo essas foto aqui, pra eu guardar de recordação deles. Falta gente, mas lembrarei de todos com bigodinho e lacinho.