quinta-feira, 11 de maio de 2017

Lucie

Then there was I living a strangely warm and exhausting life in Hamburg, something between the dream life and a nightmare, when I met her. At first she seemed a little bit like coming from a Hollywood movie, something between hippie and cheerleader, something that left me at least curious.

It was a Coffee place close to Osterstraße, I guess. I went there with a dear friend of mine whom I constantly miss. I was right in the eye of the hurricane in my personal life. My grandmother had just died miles away from me and for the first time I could really feel the distance between me and my homeland. I was trying to achieve applying to a master degree, and the every-day-party thing at home was already driving me insane.  And then this German girl, coming directly from Hawaii, appears in a (most likely cold, I don’t quite remember) summer night, and starts telling about her life for a bunch of people seating in front of her.

I’d never heard about her before. Nevertheless, I was sipping every word she said as if we were long time pals, as if she was exactly that friend I needed to meet, to talk about life and organize my thoughts. I loved Hamburg, I loved my job, and it was (that strange and beautiful German) summer. I was falling desperately in love, and was really unsure whether I should surrender to those feelings or not. And that good perspective of a fresh stable life freaked me out. Maybe, if I chose to stay longer and live properly all that amazing things that I was being offered, maybe I would never get back home.

 And then I met Lucie.

Perhaps you’ll think that I would say something like “and she talked me into staying and living my life intensely”, or that I would keep on with a love story or something. But thing is, I just met Lucie, and listened to her songs and stories in that small cozy Coffee place, and felt the Hawaiian breeze and the travelling freedom blowing upon us all.

In that pleasing afternoon I decided not to decide. Not yet. I decided not to panic out. I just met the amazing Lucie.




quinta-feira, 30 de março de 2017

Por qué no contesto cuando me preguntan ¿Qué piensas?

“...y mientras me preguntaba por qué no me cuadro, no sé qué hay, que esa melodía y esas letras no me conmueven nadita, aunque se parezca tanto con lo que oigo cuando estoy sola; y de repente claro, es que soy más etérea en todo, las harmonías que escucho tienen huequitos donde puedo meter mi respirar y mis alegrías y mis angustias; ya, al final, si no quiero escribir en otro idioma, si no quiero que sea ruso, y sí español, es porque aquél día acostada en la arena frente al mar azul, las voces de niños que escuché – que se parecían tanto a la de los hijos que un día tendré – las voces decían “oye, te digo, te digo mi nombre?” (a ver, recordar suena así) y no “soll ich meinen Name sagen?”; no sé qué se pasó con mi creatividad, es como si yo tuviera que invertir tanta energía creativa en seguir viviendo, buscando trabajo, buscando estudio, buscando amor, intentando entender que carajos va pasando en ese país, que la guitarra el ukulele el charango el piano se callaron, los poemas se callaron; y eso todo es un intento hueco – ¿o etéreo? – de recuperar mis versos, mi voz (…)”



Es un universo que ni yo sé muy bien.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Tormenta

Porque a esperança se vai
mas a guerra continua.
Ela não é a última que morre.
Ainda faltam muitos.
Guerra sem esperança
é contra tudo, qualquer coisa.
A guerra deveria ser interna
mas explode pra fora.
Qualquer um que cruzar o caminho... 

O beijo é guerra.
A urina é guerra.
O carnaval acabou.
Já faz um ano que o carnaval acabou.
Esse ano não tem espaço.
Mas tem vazio demais.

Eu iria voltar
Reconstruir cada ruína
cada espaço incendiado
cada momento que vivi
sem a intensidade merecida.
Mas, agora só existe o limbo.

Eu te deixei toda vez
para amanhã.
Dois dias de alegria,
virou ontem.
Passou.
Mas amanhã!
Que amanhã?
Depois da quarta-feira de cinzas
está decretado o fim do mundo.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Soledad

Afuera llueve. Yo tengo una relación bastante doble con la lluvia. Esto de necesitarla en momentos de introspección e igual no apreciar como a veces la introspección viene sin aviso con la lluvia.
Ya llueve hace cuatro días. Ninguna introspección necesita tanto tiempo. Hoy hizo algo de sol, unos rayitos valientes que resistieron por unos minutos entre tanta niebla. Me dio una felicidad algo melancólica, como una memoria repentina del verano, consciente de ser volátil como la niebla que la revolvía. Y se fue, y el cielo quedó aún más feo que antes.
El humo de las fábricas se hace más visible por el frio. ¿Quién será realmente feliz en un día como ese?
Entro en el tren. Una jornada más. Días así están bien para viajar en tren. Me distraigo con cualquier cosa que veo por la ventana.  Quiero dormir. Hoy no tengo ganas de ser visible, no quiero decir una sola palabra a nadie.
Y bueno. No, mentira. Mentira mentira mentira. Que tan graciosa la vida que me pone una cosa tan hermosa justo en el banco al lado. Un hombre de sombrero siempre vale algunos minutos de observación. Este… No se ven los ojos. En las manos un libro. Y esa sonrisita medio de lado.
AH! Increíble la ironía de la vida. Llevamos libros del mismo autor. Neruda, voy imaginando que tú mismo creaste esta situación.
Los ojos, finalmente los ojos. Azules y cristalinos como las playas griegas. Y la pequeña felicidad al ver el título del libro que ahora pretendo leer.
Oh no, ¡pues no! ¿Por qué te sientas justo ahí, oh mujer, y me privas de seguir mirando tan hermosa criatura?
Las sonrisas se deshacen, los ojos dejan de buscarse.
Ya pasó. Saltó del tren.

Dos soledades que se encuentran… Podría ser una linda historia de amor. Pero esto al final no pasa con estos que quieren ser libres y no quieren dejar lo único seguro que tienen: la soledad misma.

Afuera llueve.

domingo, 7 de junho de 2015

Sobre homens e chapéus

Eu queria escrever alguma história talvez mais filosófica ou imaginativa. Até tentei. Mas a verdade é que o que tenho aqui é uma história de amor – um drama? De um homem por seu chapéu.
Nunca fui muito afeito por acessórios, e nunca havia entendido a verdadeira utilidade de um chapéu. Para mim pareciam mera decoração. Não que achasse isso negativo, sabia da graça que uma boa cartola ou um guarda-chuva podiam trazer. Mas até então eram assim bonitos como as flores campestres: observo, mas não as tomo.
Até aquele fatídico dia nublado e xexelento, quando caminhava meio pensativo e torpe. Já nem sabia mais o que me preocupava, mas há três noites não podia dormir. Entrei por qualquer viela ladrilhada deixando meus pensamentos me guiarem, e então me deparei com uma pequena igreja e seu cemitério. Passeei um pouco entre os mausoléus, imaginando como teria sido a vida daquela gente.
Tem dias que só encontro minha paz nos mortos. É como se, estando com eles nada mais fosse tão urgente.
Um pequeno raio de sol anunciou que era tempo de seguir caminhada.
Uma das coisas que mais aprecio na vida é observar os artistas de rua. Muitas vezes vale mais do que o mais renomado concerto da cidade. E ali, naquela esquina da Marienplatz, encontrei. Foi como se a paz nunca tivesse me deixado. Aquele sanfoneiro tocava Bach de um jeito incrível, e em sua cabeça, o chapéu com mais personalidade que já vi na vida. Não era essa coisa typisch bayrisch que encontro sempre. No seu intervalo o convidei para uma cerveja - o sanfoneiro, não o chapéu. Fiquei curioso sobre suas histórias e a origem daquele belo panamá-marrom que trajava. Contou-me que havia trocado por seu clássico verde-com-pena quando esteve no Brasil, em uma roda de samba. Achei curioso um amante de Bach ter se misturado tão contente com os cavaquinhos e pandeiros. Ele me disse: As bachianinhas me encaminharam.
Resolvi propor uma pequena aposta alcoólica em troca daquele chapéu, e claro que ganhei. Nunca se deve duvidar da minha capacidade de beber cerveja, principalmente Franziskaners.
Desde então o chapéu virou meu companheiro inseparável. Junto com ele veio o samba. Cartola, Noel, Adoniran, Clementina de Jesus, Bezerra. E daí que minha relação com ele deixou de ser a de acessório, e passou mesmo a ser de amizade, de complemento e contraponto. Eu era outro quando o levava, era alguém muito mais interessante.
Nos momentos de chapéu conheci toda a gente peculiar que antes se escondia nos rincões de Munique. Desde velhinhos beberrões entusiasmados até crianças de pensamento profundamente filosófico. Arranjei-me um par de encontros a partir de olhares curiosos. Desentoquei o violão e voltei a arranhar alguns acordes sofisticados, mas mal tocados. Acho que isso tinha lá seu charme... Conheci viajantes e viajei mais também, com mais coragem pra ser outro desses seres musicais rueiros.
E voltando de uma dessas viagens que o drama se instaurou. A começar por uma mensagem de um velho amor (Quanto tempo! Estou em Munique, nos encontramos?). Quanto tempo. Claro, você nunca mais me respondeu. Nem consegui ficar nervoso, impulsivamente respondi "sim, hoje, 17h, Hauptbanhof". E depois disso toda a ansiedade do mundo. Para melhorar era tempo de greve da Deutsch Bahn, trem lotado, paradas longas, viagem inquieta. Era como se estivesse flutuando em qualquer mundo paralelo e aflitivo.
Com meia hora de atraso, desci esbaforido do trem. Olhei ao redor e nada. Ou melhor, um amontoado de gente buscando as conexões possíveis para outras cidades. De repente me dei conta. O chapéu. Scheiße, o chapéu! Ficou no trem! 
Ele ainda estava ali parado. Corri, subi no vagão em que viajei e busquei aflitamente. Nada. Um funcionário me avisou rispidamente que o trem estava sendo fechado e que não havia nada ali.
... ele. 
Que perda maior do que ele?
Fui para minha casa sem nem olhar para os lados. Era como se já não tivesse um pedaço de mim, talvez a melhor parte de mim. Era como a morte de um grande amigo. E como numa ocasião dessas, os dias que seguiram foram de luto. Eu sei o quanto isso soa estúpido, e tentava mesmo me iludir de que o vazio que sentia era por outro motivo - talvez aquele amor que afinal não encontrei. Mas, a verdade é que me tornei um homem afeito por meu chapéu, como alguém o pode ser por um cão. E eles são insubstituíveis.

Os dias que passaram foram de marasmo e trabalho alienado. Dias de gente normal e de bem. Vazios. Acompanhados às vezes de uísque e jazz, numa tentativa forçada de contemplação.
Já não era nem mais tristeza o que sentia. Era normalidade. Era esse intento de se enquadrar (e se eu casasse, comprasse minha casa, buscasse um emprego mais estável e promissor, fizesse aquela especialização que nem me interessa, mas seria boa para meu currículo?). E nada mais sufocante do que a fôrma social.
Resolvi então tirar um dia em Salzburg. Nada tão longe nem tão novo, mas pelo menos outros ares, outro país, um movimento agonizante em direção à superação.

Caminhava distraído e irritadiço pela cidade. Queria desfrutar do momento, mas a sensação eterna de algo pendente (preciso ir ao banco, tô sem leite em casa, etc. etc.) me incomodava como uma alergia no traseiro.
Depois de um tempo andando sem rumo pelo centro histórico, comecei aos poucos a desanuviar. Achava graça nos blocos de turistas chineses todos tão sorridentes e fotografantes pelas ruas. Subi à Fortaleza de Hohensalzburg, e lá de cima senti o pequeno maravilhamento de ver toda a cidade. A contemplação veio em seguida, com o soar dos sinos das 18 horas. Foi como se cada harmônico viesse massagear meus neurônios dizendo: relaxe. Passaram uns bons minutos em que me mantive nesse estado de observar a paisagem e ouvir a cadência decrescente dos sinos. Estava livre, sei lá do quê, mas estava.
Um cachorro amoroso e bastante precipitado balançando em minha perna me trouxe de volta a essa dimensão, estabelecendo a hora de seguir caminhada. Desci uma escadaria e me deixei levar até a Franziskaner Kirche. Entrei. Gosto de entrar em templos para pensar - neles, se uma pessoa senta e fica olhando atônita para o nada, isso não é considerado tão estranho. Montes de velas enfileiradas. Despertou minha curiosidade que só duas chamas balançassem felizes, como se conversassem. Não sei quantos minutos me detive nessa quase meditação, mas sei que ali consegui deixar meu chapéu. Ali, não sei bem por que, isso tudo deixou de ser importante. Não que tivesse passado a considerá-lo superficial, nunca. Mas acho que o (me) libertei. O amor só dura em liberdade.
Saí com um sorriso de canto de boca, daqueles de quem sabe das coisas boas da vida, daqueles de mãe que vê filho crescendo. Era como se esse tempo todo estivesse com uma viseira, forçado a não ver a amplidão da vida. Sinto-me um verdadeiro panaca quando saio desses momentos de dor infantil e volto à bonita realidade. Mas afinal, acho que isso é o que torna a realidade mais bonita.
Logo que dobrei a esquina tive a felicidade de me deparar com um titereiro balançando uma caveira ao som de Elvis. Nada tão inovador, mas tinha ginga. Vagarosamente percorri o olho pela cena, e finalmente me atentei ao espírito por trás da marionete. Que bela surpresa me deparar com aquele chapéu coco azul marinho! Eu o veria talvez como de mau gosto em outro contexto, mas ele ornava harmoniosamente o rosto anguloso e barbado daquele jovem moreno que dançava quase tão feliz quanto o próprio boneco. Talvez fosse tempo de um novo amor...
Saquei um par de cigarros do bolso e com a velha desculpa do "você tem fogo?" o convidei para um café. O chapéu, dessa vez.


quinta-feira, 21 de maio de 2015

A cereja do bolo é o corvo na janela

Hoje estou cheia de passado.
Há tanto passado em mim
que já nem sei direito o presente.
Talvez porque o presente ande mesmo meio etéreo
abrindo espaço para qualquer coisa que o queira preencher.
Deveria ser o futuro
Acho que deveria ser o futuro
Mas talvez aquela incerteza traga antes
memórias de outros tempos felizes
(talvez já romantizadas, polidas, relativizadas)
do que os planos pro que há de vir.
Talvez que a felicidade do que foi
esteja abrindo os braços pra alegria do que virá
E enquanto isso

A cereja do bolo é o corvo na janela.
De tanta coisa que aconteceu hoje,
acho que essa é a mais melancólica de todas.
Durante minutos e minutos ele sentou na chaminé
e olhou através de minha janela.
Ensaiei tirar-lhe uma foto, então ele se foi.
Esse olhar tão impregnado de “never more” e silêncio
parecia querer me lembrar
da durabilidade dos dias de chuva e contemplação em solo europeu;
de que refletir sobre o passado é um lapso
de que Ei, Veja só o presente aqui.

O silêncio emudecido ao som do contrabaixo acústico
voltou com o céu cinzento
(a primavera etérea como o dia de hoje).
Então nada me resta além de compor,
plantar notas nesse silêncio fecundo.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Vielleicht soll ich schwimmen lernen

Schönes Lächeln.
Tiefer Blick.
Aber
es gibt eine Tür
zwischen uns
und weiss ich nicht
wenn darf ich
es öffnen
- vielleicht gibt es da
ein groβer See
zu kalt für schwimmen.
Vielleicht solltest du
es aufmachen.
Bald.
Oder vielleicht
soll ich schwimmen lernen.